08 março 2013
Paraíso (no Cap. IV de MESA 5)
Paraíso
Meu paraíso, procuro-te desesperado!
Encostas íngremes, caminhos traiçoeiros, falésias
mortíferas,
A um tropeção de distância.
Não te alcançar, deixa-me prosaicamente desolado.
Sem descanso, olho, tento, sigo.
Beijo nuvens, trovões e estrelas no sopé de cada
montanha ultrapassada.
Mas resgato-me no horizonte e caminho.
Deixo, à deriva, o vento comandar.
Sinto o seu empurrão em cada passada a ajudar-me a
alastrar este fogo interno,
Pelas planícies desérticas que refletem o luar.
Ao andar pela caminhada sagrada, também observo
a beleza desta natureza primitiva.
Flores exóticas, animais puros, rostos de uma terra
imaculada.
Tudo me parece novidade!
Olho-os com olhar de criança!
No entanto, mantenho-me objetivo!
Sigo em frente cheio de certezas!
Mas depois, paro para descansar, percebo...
Analiso velozmente e descubro...
Que a verdadeira razão da busca... É descobrir o que
quero.
Concluo portanto, que o paraíso perdido,
Não será somente um local sagrado,
Mas um rosto familiar que me atormenta.
Chamando-me no fim das forças ao seu encontro.
Já rendido à evidência da paixão,
Radicalizo o meu projeto, transformo-o,
Incuto-lhe a componente amorosa,
Vejo o meio-termo, no meu coração.
Acordo, então suado, perdido.
Olho para o lado e vejo-te.
Bela essência adormecida.
Protetora da minha lucidez louca.
Compreendo que me dás equilíbrio.
Para viver entre o sonho e o pesadelo.
Entre o sonho e a realidade.
Entre o sonho e o projeto.
Que projeto? Talvez de viver,
Pensando que te posso perder.
Rendido por não te querer perder.
Numa passagem tão simples, tão pura,
Como a noite passa para o amanhecer.
Tu abres os olhos, sorris.
Perguntas se estou bem.
Agarras-te a mim e esqueço,
Todas as questões criadas.
Das que surgem num pesadelo,
Sabendo que com o amanhã, tudo passou.
E... Aconchegas-me o dormir, num beijo.
Durmo nos teus braços.
A agradecer-te por seres minha casa.
Mostrar-me que o pesadelo passou.
Mostrar-me que o sonho chegou.
Perceber que pertenço aqui, ao paraíso!
Aqui adormecido, agarrado ao teu corpo.
Juntando as nossas almas, sossegado.
O meu paraíso não é o absoluto.
O meu paraíso é o teu amor.
19 fevereiro 2013
De Eloisa para Abelard
Nessas solidões profundas e celas horríveis
Onde a contemplação pesadamente pensativa mora
E a sempre refletiva melancolia reina
O que significa este tumulto nas veias inocentes?
Por que vaguear meus pensamentos para fora deste último retiro?
Por que meu coração sente seu já esquecido calor?
Ainda, ainda eu amo! - Veio de Abelard,
e Eloisa ainda deve honrar o nome
Querido nome fatal! Descanse sempre não revelado
Nem passe estes lábios selados em silencio sagrado
Esconda-o, meu coração -ou meu amor- naquele disfarce
Onde misturado aos deuses, a amada lembrança dele repousa:
O, não escreva, minha mão - o nome já aparece escrito - lave-o, minhas lágrimas!
Em vão, Eloisa chora e reza
O coração dela ainda dita, e sua mão obedece
Paredes implacáveis!
Suspiros arrependidos, e dores volutárias:
Vós rochas robustas!Que sagrados joelhos gastaram
Vós grutas e cavernas desgrenhadas com horríveis espinhos!
Santuários!Onde seus vigias de olhos pálidos mantêm as virgens
E santos pesarosos, aquelas estátuas, aprendem a chorar
Apesar de frio como você, imóvel, e adulto silencioso
Eu ainda não me esqueci tanto quanto uma pedra
Nada é divino quando Abelard parte
Ainda rebelde a natureza faz metade do meu coração resistir
Nem rezas nem jejuns, contêm este pulsar teimoso
Nem lágrimas, por anos, ansinadas a jorrar em vão
Logo que tuas cartas eu abro tremendo
Aquele nome bem conhecido acorda todas minhas desgraças
Oh nome para sempre triste! Para sempre querido!
Ainda respirado em sussurros, ainda conduzido por uma lágrima
Eu tambem tremo, onde eu me encontro
Alguns infortúnios perigosos seguem de perto
Linha pós linha meus olhos efusivos transbordam
Guiado por uma triste variedade de desgraças:
Agora aquecida em amor, agora murchando no teu florecer
Perdida em um convento de uma tristeza solitária!
Lá uma religiao severa apagou a chama indisposta
Lá morreram a besta da paixao, do amor e da fama
Ainda escreva, me escreva tudo, que eu possa juntar
Lamentos para teus lamentos, e suspiros em eco a ti
Nem adversários, nem sorte levam essse poder embora
E é meu Abelardo menos gentil que eles?
Lágrimas ainda são minhas, e essas não preciso poupar
Amor mas exige o que foi irradiado em rezas
Nenhuma tarefa mais feliz persegue esses olhos cansados
Ler e chorar é tudo que eles podem fazer agora
Então divida tua dor, permita esse alívio triste
Ah, mais que dividir, me dê todo o teu lamento
Os céus um dia ensinaram letras para alguns miseráveis
Alguns amantes banidos, ou algumas donzelas prisioneiras
Eles vivem, eles falam, eles respiram o que o amor inspira
Calor da alma, e fiel ao seus fogos
O desejo da virgem comunicado sem medo
Desculpe por corar, e derrame todo o coraçao
Apresse o macio coito de alma para alma
E um suspiro dos Hindus para os Polos
Vós sabes o quão inocentemente eu conheci vossa chama
Quando o amor se aproximou de mim sob o nome da amizade
Meu imaginário vos concebe em um tipo angelical
Alguma emanação da mente mais bela
Aqueles olhos sorridentes, tomando cada dia
Brilharam docemente com o dia celeste
Inocente eu olhei, o céu ouvia enquanto você cantava
E verdades divinas foram compostas por aquela língua
de lábios como aqueles, quais preceitos falharam?
Logo eles me ensinaram que não era pecado amar
De volta pelos caminhos do sentido do prazer eu corri
Nem desejei um anjo a quem o homem eu amei
Escuras e remotas as alegrias dos anjos eu vejo
Não os invejo, que os céus eu perca por vós
Quantas vezes, quando pressionada a casar, eu disse:
Amaldiçoes todas as leis menos as que o amor fez!
Amor, livre como ar, a vista das amarras humanas
Abre suas asas leves, em um momento voa
Deixe a riqueza, deixe a honra, espere a esposa.
Respeite o ato dela, e sagrada seja sua fama
Antes que a verdadeira paixão remova todas essas visões
Fama, riqueza, e honra!O que você é para o amor?
O deus do ciúmes, quando profanamos seus fogos
Aquelas incansáveis paixões inspira em vingança
E os convida a fazer mortais errados gritarem
Oue procura no amor por nada além de amar sozinho
Aos meus pés o grande mestre do mundo deve cair
Ele, seu trono, seu mundo, eu desdenho tudo!
Nem a imperatriz de César eu me dignaria a provar
Não, me faça amante do homem que amo
Se ainda houver outro nome mais livre
Melhor do que amante, me faça esse nome para vós!
Oh estado feliz!Quando um desenha a alma do outro
Quando o amor é liberdade e a natureza, lei
Tudo então é repleto, possuindo e possuído
Nenhum vazio suplicante deixado doendo no peito
Mesmo que pensamento encontre pensamento, antes parte desse lábio
E cada desejo quente floresce mútuo do coração
Isso com certeza é glória se há gloria nesse mundo
E uma vez parte de Abelardo e eu
Ai de mim, que mudança! que horrores repentinos levantam!
Um amante nu limitado e sangrando deita!
Onde, onde estava Eloise?Sua voz, sua mão.
Seu punhal, se opôs ao horrível comando
Bárbaro, fique!Aquele maldito ataque comprime
O crime foi comum, comum seja a dor
Eu não posso mais, por vergonha, por raiva contida
Deixe as lágrimas, e rubores ardentes falarem o resto
Você não pode esquecer aquele triste, solene dia
Quando vitimados deitamos aos pés de seu altar
Você não pode esquecer quais lágrimas aquele momento fez derramar
Quando, aquecida em juventude, eu me despedi do mundo
Enquanto com lábios frios eu beijei o véu sagrado
As templos todos tremeram, e as lâmpadas ficaram pálidas
Os céus quase não acreditaram nessa conquista
E os santos maravilhados ouviram minhas juras
Ainda assim, para aqueles altares assustadores enquanto eu continuava
Não na cruz meus olhos estavam fixados, mas em você:
Não na graça, na fé, amor era meu único pedido
E se eu perder vosso amor, eu perco tudo
Venha!Com vosso olhar, vossas palavras, alivie minha tristeza
Isto ainda resta para você conceder
Ainda neste peito me deixe deitar enamorada
Ainda bebo veneno delicioso de vosso olho
Ofegar em vosso lábio, e em vosso coração ser pressionada
de tudo que puder - e me deixe sonhar o resto
Ah não!Me ensine outras alegrias para estimar
Com o charme de outras belezas meus olhos parcialmente
se enchem de todo o brilho acima
E faz minha alma trocar Abelard por deus
Ah, pense pelo menos vosso rebanho merece vosso cuidado
plantas vossas mãos, e crianças vossas preces
Do mundo falso na juventude eles escaparam
Pelas vossas montanhas, selvas e desertos seguiram
Você levantou esses muros vazios, o deserto sorriu
e o paraíso foi aberto na selva
Nenhum orfão chorando viu os bens de seu pai
Nossos templos irradiam, ou roubam o chão
Nenhum santo de prata, dado por miseráveis moribundos
subornou a raiva do céu castigado
Mas tetos tão simples como a piedade poderia levantar
e apenas protestar com as honras de Marker
Nesses muros vazios barreira eterna de seus dias
Essas cúpulas cobertas de musgo com torres lotadas
Onde horríveis arcas fazem do meio-dia noite
E janelas turvas espalham uma luz solene
de vossos olhos um raio pacificador
E reflexos de glória brilharam por todo o dia
Mas agora nenhum contentamento veste a face divina
É tudo pura tristeza, ou lágrimas contínuas
Veja como eu tento a força das preces de outros
Mas porque deveria eu depender das preces de outros?
Vir a você, meu pai, irmão, marido, amigo!
Deixe tua empregada, irmã, filha irem
e todos esse nomes em um, vosso amor!
Os pinheiros escuros que se reclinam sobre as rochas
balançam alto, e murmuram para o vento oco
Os rios correntes que brilham entre as colinas
As cavernas que ecoam para os riachos rumorosos
As tempestades morrendo ofegam sobre as arvores
Os lagos que tremem para a brisa rodopiante
Nenhuma dessa cenas minha meditação socorre
ou acalma o resto da donzela visionária
Mas os bosques do crepúsculo e cavernas escuras
Corredores barulhentos, e sepulturas misturadas
Melancolia negra se assenta, e em sua volta joga
Um silêncio como que mortal, e um descanso temeroso
Sua presença obscura entristece toda a cena,
Sombreia toda flor, escurece todo verde
Afunda os murmúrios do dilúvio que cai
e respira um horror mais marrom na floresta
Aqui para sempre, sempre devo ficar
Prova triste do quanto um amante obedece
Morte, apenas a morte pode romper a última corrente
e aqui, ainda assim, minhas cinzas frias devem permanecer
Aqui todas suas fragilidades, todas as chamas resignarem
e esperar até que não haja pecado para misturar com o vosso
Ah deplorável! em vão suposta consorte de Deus
Confessa escrava do amor e de um homem
Acuda-me Céus! Mas de onde veio aquela prece?
Surgiu da piedade, ou do desespero?
Até mesmo aqui, onde repousa a esquecida castidade
O amor encontra um altar para desejos proibidos
Eu devia lamentar, mas não consigo fazer o que devo
Estou de luto pela amante, não pelo erro cometido
Vejo meu crime, que dói-me de queimadura à vista do próprio crime
Lamento antigos prazeres, e peço um novo
Agora de volta aos Céus, lamento minha última ofensa
Agora penso em ti, e amaldiçôo minha inocência
de todas as aflições já aprendidas pela amante
Esta é com certeza a ciência mais difícil de se esquecer
Como vou me libertar do pecado, mantendo o sentido
e amar o pecador, e ao mesmo tempo odiar o pecado?
Como separar o adorável! objeto do crime do próprio crime
Ou como separar penitência de amor?
Tarefa sem igual!Uma paixão pra se desistir,
Para corações tão infligidos, tão lancinados, tão perdidos como o meu
Antes que uma alma recupere seu estado de paz
Quanto deve ela amar, odiar!
Quanto deve experimentar a esperança, o desespero, a indignação, o arrependimento
A contrição, o desdém - faça tudo mas esqueça
Mas deixe os Céus cuidarem disso, tudo de uma só vez quando surgirem
Não tocado, mas sim tomado; não desperto, mas inspirado!
Oh venha! Oh ensina-me a essência do auto-controle
Renuncio meu amor, minha vida, eu mesmo - e você
Vou preencher meu coração somente com Deus, pois somente ele
pode te substituir
Quão feliz é o imaculado salário da sacerdotisa de Vesta!
O mundo a esquecendo, esquecida pelo mundo.
Eterno brilho de uma mente sem lembranças!
Todas as preces aceitas, todas as tentações abandonadas;
Trabalho e descanço, mantidos em turnos iguais;
"Sonâmbulos obedientes que podem acordar e lamentar"
Desejos fomentados, afetos sempre correspondidos
Lágrimas que deleitam, e suspiros suavemente endereçados aos Céus
A graça a revolve com serenos lampejos,
E anjos murmuram-lhe sonhos dourados.
Pois para ela a eterna rosa do Éden floresce,
E asas de serafins exalam perfumes divinos,
Para ela o esposo prepara o anel de noivado
Para ela virgens alvas cantam o himeneu
Ela se desfaz ao som das arpas celestiais
E derrete às visões do dia eterno.
Por mais distantes sonhos minha alma pecadora vaga
Muitos outros arrebatamentos, de gozo profano
Quando do término de cada dia triste e melancólico
Fantasia restaura o que a vingança me roubou
Então a consciência adormece, libertando a natureza
Minha alma inteira, liberta, avança em tua direção
Oh maldita, caros horrores de uma noite em claro
como a clara culpa exalta o extremo gozo!
Fazendo com que demônios removam os grilhões,
E me fustiguem-me com todo dia de paixão
Eu te ouço, te vejo, exalto sobre todos seus encantos
E ao redor de teu espectro envolvo meus braços num abraço apertado
Eu acordo - e nada mais ouço!Nada mais vejo!
Teu espectro me escapa, tão desagradável quanto você
Eu chamo em altos brados; não sou ouvido
Estico meus braços sem ti; ele desliza para longe de mim
Querendo sonhar isso de novo, fecho com vigor meus olhos;
Ó doces ilusões, doces decepções, venham!
Droga! não mais - parece-me que vagamos
através de tristes escombros, e lamentamos nossas penúrias
Onde ao redor de uma torre esmaecida pelo tempo, hera doente espreita,
Pedras no piso da torre inclinam-se, balançando, sobre o precipício
De repente você se materializa, aparece triunfal através dos céus
Nuvens se amontoam, ondas rugem, e ventos surgem
Eu solto uma gargalhada, é sempre o mesmo resultado
E acordo de volta a todos os pesares que havia deixado pra trás
Para ti as deusas do destino, em demasia brandas, ordenam
Uma suspensão gélida, tanto do prazer como da dor
Tua vida uma longa mansidão morta de repouso estabelecido
Sem pulso que agita, sem sangue que dá vida
Calmo como o mar, antes dos ventos saberem inflar
Ou o Espírito Santo ordenar movimento às aguas
Suave como os devotos de um santo, perdoados
E gentis como as primeiras luzes do paraíso prometido.
Venha Abelardo! Que tens a temer?
A tocha de Venus não está acesa para os mortos
A natureza está em cheque; A religião desaprova;
Ainda que a arte esfrie - Eloisa ainda ama
Ah chamas sem esperança, ainda resistindo! Iguais àquelas que queimam...
...para guiar os mortos, e aquecer o receptáculo estéril
Que cenas vejo para onde quer que meus olhos fitem?
As caras idéias, onde eu vôo, persigo,
Elevem-se na mata, antes mesmo do altar se erguer
Permeia, mancha minha alma, mostra-se provocantes diante de meus olhos
Desperdiço minha primeira vigília em suspiros por ti,
Tua imagem se interpõe entre meu Deus e eu
Tua voz eu contemplo em todos os hinos
A cada conta do rosário eu derramos uma suave lágrima
Quando do incensário nuvens de fragrância se elevam,
E órgãos num crescente elevam o espírito,
Um único pensamento acerca de ti põe os relicários a voar,
Padres, velas, templos, nadam diante de mim
Em mares de chamas minha alma em fuga é mergulhada,
Enquanto altares brilham, e anjos vibram.
Enquanto me deito aqui, prostrada, em humilde pesar
Delicadas, virtuosas gotas se acumulam em meus olhos,
Enquanto eu rezo, tremendo, no pó eu rolo,
E uma crescente graça está se criando em minha alma:
Venha, se tem coragem, tão encantador como tua astúcia!
Desafia o próprio Céu; lute pelo meu coração;
Venha, com um relance daqueles olhos enganadores
Apague cada idéia brilhante dos céus;
Retome aquela graça, aquelas melancolias, aquelas lágrimas;
Retome aquela penitência inútil e orações;
Agarre-me, rapte-me da graça continuada;
Ajude os demônios, e arranque-me de meu Deus!
Não, voe comigo, tanto quanto de pólo a pólo;
Eleve uma montanha entre nós!Um oceano inteiro apareça!
Ah, não venha, não escreva, não pense, pelo menos uma vez, por mim,
Nem compartilhe nem mesmo um repentino pedaço do que eu sinto por ti
Renego teus juramentos, desisto de tuas lembranças
Esqueça, me renuncie, deteste tudo o que me é relacionado
Olhos bonitos, e olhares tentadores os quais ainda vejo!
Por muito amado, idéias adoradas, a tudo isso 'adieu' adeus!
Oh serena graça!Oh virtude tão bela!
Divino limbo de atenções irresponsáveis!
Esperança renovada, graciosa filha do céu!
E fé, nossa recente imortalidade!
Entre, cada convidade gentil e amigo;
Receba, e embrulhe-me em descanso eterno!
Veja, em sua clausura a triste Eloisa se esparrama,
Escorada em alguma tumba, uma vizinha aos mortos.
Cada brisa parece-me um chamado sobrenatural,
E mais do que ecos falam ao longo das paredes.
Aqui, enquanto observei as lâmpadas a se apagarem,
Além do altar eu escutei um som tenebroso.
"Venha irmã, venha!" ele disse, ou pareceu dizer
"Teu lugar é aqui, triste irmã, saia daí!
Uma vez, como tu, eu tremi, lamentei, e orei,
Ora uma vítima do amor, agora uma santa serva:
Mas tudo é calmo neste sono eterno;
Aqui o pesar se esquece de grunir, e o amor de lamentar,
Até mesmo a superstição perde todos seus medos:
Pois Deus, e não o Homem, absolve-nos de nossas faltas aqui."
Eu vou, eu vou!Prepare suas doces reverências,
Palmas celestiais, e suas flores sempre desabrochadas.
Lá, onde pecadores podem encontrar descanso, eu vou,
Onde as chamas se purificam em colos de brilho de serafins:
Tu, Abelardo!O último e triste salário da labuta,
e suaviza minha passagem para os domínios do dia;
Veja meus lábios tremerem, meus olhos revolverem nas órbitas,
Absorva meu último suspiro, e segure minha alma errante!
Ah não - em vestes sacras deves ficar,
A trêmula vela sacra em tuas mãos,
Apresenta o crucifixo aos meus olhos postados ao alto,
Ensina-me de uma vez, e aprende comigo a morrer.
Ah então, tua uma vez amada Eloisa veja!
Então não será uma crime fitar-me.
Veja o rubor de minha face esvaecer-se!
Veja o último lampejo morrer em meus olhos!
Até que todo movimento, pulso e respiro cessem;
E até mesmo cesse meu amor por Abelardo.
Oh morte, eloqüente suprema! Você somente nos prova
nossa afinidade ao pó, quando o nosso amor é terreno
Então também, quando o destino corroer tua beleza,
Isso é a causa de toda minha culpa, e também de minha satisfação
Que num transe extasiante todas suas nostalgias se afoguem,
Desçam nuvens claras, e anjos observem-na a girar,
Dos Céus abertos brilhem fulgores de glória,
E santos te abracem com amor semelhante ao meu
Que uma morte tranqüila una cada nome infeliz,
E conecte meu amor eterno à tua fama!
Então, após eras, quando todos meus infortúnios estarão findos,
Quando este coração rebelde não mais bater;
Se por acaso dois amores errantes se encontrarem
nas parede brancas do Paráclito e amanheceres prateados,
Sobre pálido mármore eles encontram suavemente suas cabeças,
E tomam-se suas lágrimas derramadas, um a de outro;
Então digam tristemente, com pena mútua,
"Oh, que nós nunca amemos como estes amaram!"
Do pleno coro, quando altas Hosanas surgirem,
E encherem os relicários de sacrifício horripilante,
No meio dessa cena, se algum olho sereno
notar de relance, na pedra onde nossas gélidas relíquias repousam,
A própria devoção deve roubar um pensamento dos Céus,
Uma lágrima humana correrá, e será perdoada.
E claro, se o destino provocar em algum futuro poeta
Similares e tristes pesares, iguais aos meus,
Condenando-o a anos inteiros de solidão dignos de pena,
e ídolos que ele não deve mais venerar;
Se assim acontecer, quem assim tanto ama, tão bem;
Contem-lhe nossa triste e delicada estória;
Os infortúnios bem declamados tranquilizarão meu fantasma atribulado;
Ele poderá no máximo descrevê-los, aquele que os sente...
Onde a contemplação pesadamente pensativa mora
E a sempre refletiva melancolia reina
O que significa este tumulto nas veias inocentes?
Por que vaguear meus pensamentos para fora deste último retiro?
Por que meu coração sente seu já esquecido calor?
Ainda, ainda eu amo! - Veio de Abelard,
e Eloisa ainda deve honrar o nome
Querido nome fatal! Descanse sempre não revelado
Nem passe estes lábios selados em silencio sagrado
Esconda-o, meu coração -ou meu amor- naquele disfarce
Onde misturado aos deuses, a amada lembrança dele repousa:
O, não escreva, minha mão - o nome já aparece escrito - lave-o, minhas lágrimas!
Em vão, Eloisa chora e reza
O coração dela ainda dita, e sua mão obedece
Paredes implacáveis!
Suspiros arrependidos, e dores volutárias:
Vós rochas robustas!Que sagrados joelhos gastaram
Vós grutas e cavernas desgrenhadas com horríveis espinhos!
Santuários!Onde seus vigias de olhos pálidos mantêm as virgens
E santos pesarosos, aquelas estátuas, aprendem a chorar
Apesar de frio como você, imóvel, e adulto silencioso
Eu ainda não me esqueci tanto quanto uma pedra
Nada é divino quando Abelard parte
Ainda rebelde a natureza faz metade do meu coração resistir
Nem rezas nem jejuns, contêm este pulsar teimoso
Nem lágrimas, por anos, ansinadas a jorrar em vão
Logo que tuas cartas eu abro tremendo
Aquele nome bem conhecido acorda todas minhas desgraças
Oh nome para sempre triste! Para sempre querido!
Ainda respirado em sussurros, ainda conduzido por uma lágrima
Eu tambem tremo, onde eu me encontro
Alguns infortúnios perigosos seguem de perto
Linha pós linha meus olhos efusivos transbordam
Guiado por uma triste variedade de desgraças:
Agora aquecida em amor, agora murchando no teu florecer
Perdida em um convento de uma tristeza solitária!
Lá uma religiao severa apagou a chama indisposta
Lá morreram a besta da paixao, do amor e da fama
Ainda escreva, me escreva tudo, que eu possa juntar
Lamentos para teus lamentos, e suspiros em eco a ti
Nem adversários, nem sorte levam essse poder embora
E é meu Abelardo menos gentil que eles?
Lágrimas ainda são minhas, e essas não preciso poupar
Amor mas exige o que foi irradiado em rezas
Nenhuma tarefa mais feliz persegue esses olhos cansados
Ler e chorar é tudo que eles podem fazer agora
Então divida tua dor, permita esse alívio triste
Ah, mais que dividir, me dê todo o teu lamento
Os céus um dia ensinaram letras para alguns miseráveis
Alguns amantes banidos, ou algumas donzelas prisioneiras
Eles vivem, eles falam, eles respiram o que o amor inspira
Calor da alma, e fiel ao seus fogos
O desejo da virgem comunicado sem medo
Desculpe por corar, e derrame todo o coraçao
Apresse o macio coito de alma para alma
E um suspiro dos Hindus para os Polos
Vós sabes o quão inocentemente eu conheci vossa chama
Quando o amor se aproximou de mim sob o nome da amizade
Meu imaginário vos concebe em um tipo angelical
Alguma emanação da mente mais bela
Aqueles olhos sorridentes, tomando cada dia
Brilharam docemente com o dia celeste
Inocente eu olhei, o céu ouvia enquanto você cantava
E verdades divinas foram compostas por aquela língua
de lábios como aqueles, quais preceitos falharam?
Logo eles me ensinaram que não era pecado amar
De volta pelos caminhos do sentido do prazer eu corri
Nem desejei um anjo a quem o homem eu amei
Escuras e remotas as alegrias dos anjos eu vejo
Não os invejo, que os céus eu perca por vós
Quantas vezes, quando pressionada a casar, eu disse:
Amaldiçoes todas as leis menos as que o amor fez!
Amor, livre como ar, a vista das amarras humanas
Abre suas asas leves, em um momento voa
Deixe a riqueza, deixe a honra, espere a esposa.
Respeite o ato dela, e sagrada seja sua fama
Antes que a verdadeira paixão remova todas essas visões
Fama, riqueza, e honra!O que você é para o amor?
O deus do ciúmes, quando profanamos seus fogos
Aquelas incansáveis paixões inspira em vingança
E os convida a fazer mortais errados gritarem
Oue procura no amor por nada além de amar sozinho
Aos meus pés o grande mestre do mundo deve cair
Ele, seu trono, seu mundo, eu desdenho tudo!
Nem a imperatriz de César eu me dignaria a provar
Não, me faça amante do homem que amo
Se ainda houver outro nome mais livre
Melhor do que amante, me faça esse nome para vós!
Oh estado feliz!Quando um desenha a alma do outro
Quando o amor é liberdade e a natureza, lei
Tudo então é repleto, possuindo e possuído
Nenhum vazio suplicante deixado doendo no peito
Mesmo que pensamento encontre pensamento, antes parte desse lábio
E cada desejo quente floresce mútuo do coração
Isso com certeza é glória se há gloria nesse mundo
E uma vez parte de Abelardo e eu
Ai de mim, que mudança! que horrores repentinos levantam!
Um amante nu limitado e sangrando deita!
Onde, onde estava Eloise?Sua voz, sua mão.
Seu punhal, se opôs ao horrível comando
Bárbaro, fique!Aquele maldito ataque comprime
O crime foi comum, comum seja a dor
Eu não posso mais, por vergonha, por raiva contida
Deixe as lágrimas, e rubores ardentes falarem o resto
Você não pode esquecer aquele triste, solene dia
Quando vitimados deitamos aos pés de seu altar
Você não pode esquecer quais lágrimas aquele momento fez derramar
Quando, aquecida em juventude, eu me despedi do mundo
Enquanto com lábios frios eu beijei o véu sagrado
As templos todos tremeram, e as lâmpadas ficaram pálidas
Os céus quase não acreditaram nessa conquista
E os santos maravilhados ouviram minhas juras
Ainda assim, para aqueles altares assustadores enquanto eu continuava
Não na cruz meus olhos estavam fixados, mas em você:
Não na graça, na fé, amor era meu único pedido
E se eu perder vosso amor, eu perco tudo
Venha!Com vosso olhar, vossas palavras, alivie minha tristeza
Isto ainda resta para você conceder
Ainda neste peito me deixe deitar enamorada
Ainda bebo veneno delicioso de vosso olho
Ofegar em vosso lábio, e em vosso coração ser pressionada
de tudo que puder - e me deixe sonhar o resto
Ah não!Me ensine outras alegrias para estimar
Com o charme de outras belezas meus olhos parcialmente
se enchem de todo o brilho acima
E faz minha alma trocar Abelard por deus
Ah, pense pelo menos vosso rebanho merece vosso cuidado
plantas vossas mãos, e crianças vossas preces
Do mundo falso na juventude eles escaparam
Pelas vossas montanhas, selvas e desertos seguiram
Você levantou esses muros vazios, o deserto sorriu
e o paraíso foi aberto na selva
Nenhum orfão chorando viu os bens de seu pai
Nossos templos irradiam, ou roubam o chão
Nenhum santo de prata, dado por miseráveis moribundos
subornou a raiva do céu castigado
Mas tetos tão simples como a piedade poderia levantar
e apenas protestar com as honras de Marker
Nesses muros vazios barreira eterna de seus dias
Essas cúpulas cobertas de musgo com torres lotadas
Onde horríveis arcas fazem do meio-dia noite
E janelas turvas espalham uma luz solene
de vossos olhos um raio pacificador
E reflexos de glória brilharam por todo o dia
Mas agora nenhum contentamento veste a face divina
É tudo pura tristeza, ou lágrimas contínuas
Veja como eu tento a força das preces de outros
Mas porque deveria eu depender das preces de outros?
Vir a você, meu pai, irmão, marido, amigo!
Deixe tua empregada, irmã, filha irem
e todos esse nomes em um, vosso amor!
Os pinheiros escuros que se reclinam sobre as rochas
balançam alto, e murmuram para o vento oco
Os rios correntes que brilham entre as colinas
As cavernas que ecoam para os riachos rumorosos
As tempestades morrendo ofegam sobre as arvores
Os lagos que tremem para a brisa rodopiante
Nenhuma dessa cenas minha meditação socorre
ou acalma o resto da donzela visionária
Mas os bosques do crepúsculo e cavernas escuras
Corredores barulhentos, e sepulturas misturadas
Melancolia negra se assenta, e em sua volta joga
Um silêncio como que mortal, e um descanso temeroso
Sua presença obscura entristece toda a cena,
Sombreia toda flor, escurece todo verde
Afunda os murmúrios do dilúvio que cai
e respira um horror mais marrom na floresta
Aqui para sempre, sempre devo ficar
Prova triste do quanto um amante obedece
Morte, apenas a morte pode romper a última corrente
e aqui, ainda assim, minhas cinzas frias devem permanecer
Aqui todas suas fragilidades, todas as chamas resignarem
e esperar até que não haja pecado para misturar com o vosso
Ah deplorável! em vão suposta consorte de Deus
Confessa escrava do amor e de um homem
Acuda-me Céus! Mas de onde veio aquela prece?
Surgiu da piedade, ou do desespero?
Até mesmo aqui, onde repousa a esquecida castidade
O amor encontra um altar para desejos proibidos
Eu devia lamentar, mas não consigo fazer o que devo
Estou de luto pela amante, não pelo erro cometido
Vejo meu crime, que dói-me de queimadura à vista do próprio crime
Lamento antigos prazeres, e peço um novo
Agora de volta aos Céus, lamento minha última ofensa
Agora penso em ti, e amaldiçôo minha inocência
de todas as aflições já aprendidas pela amante
Esta é com certeza a ciência mais difícil de se esquecer
Como vou me libertar do pecado, mantendo o sentido
e amar o pecador, e ao mesmo tempo odiar o pecado?
Como separar o adorável! objeto do crime do próprio crime
Ou como separar penitência de amor?
Tarefa sem igual!Uma paixão pra se desistir,
Para corações tão infligidos, tão lancinados, tão perdidos como o meu
Antes que uma alma recupere seu estado de paz
Quanto deve ela amar, odiar!
Quanto deve experimentar a esperança, o desespero, a indignação, o arrependimento
A contrição, o desdém - faça tudo mas esqueça
Mas deixe os Céus cuidarem disso, tudo de uma só vez quando surgirem
Não tocado, mas sim tomado; não desperto, mas inspirado!
Oh venha! Oh ensina-me a essência do auto-controle
Renuncio meu amor, minha vida, eu mesmo - e você
Vou preencher meu coração somente com Deus, pois somente ele
pode te substituir
Quão feliz é o imaculado salário da sacerdotisa de Vesta!
O mundo a esquecendo, esquecida pelo mundo.
Eterno brilho de uma mente sem lembranças!
Todas as preces aceitas, todas as tentações abandonadas;
Trabalho e descanço, mantidos em turnos iguais;
"Sonâmbulos obedientes que podem acordar e lamentar"
Desejos fomentados, afetos sempre correspondidos
Lágrimas que deleitam, e suspiros suavemente endereçados aos Céus
A graça a revolve com serenos lampejos,
E anjos murmuram-lhe sonhos dourados.
Pois para ela a eterna rosa do Éden floresce,
E asas de serafins exalam perfumes divinos,
Para ela o esposo prepara o anel de noivado
Para ela virgens alvas cantam o himeneu
Ela se desfaz ao som das arpas celestiais
E derrete às visões do dia eterno.
Por mais distantes sonhos minha alma pecadora vaga
Muitos outros arrebatamentos, de gozo profano
Quando do término de cada dia triste e melancólico
Fantasia restaura o que a vingança me roubou
Então a consciência adormece, libertando a natureza
Minha alma inteira, liberta, avança em tua direção
Oh maldita, caros horrores de uma noite em claro
como a clara culpa exalta o extremo gozo!
Fazendo com que demônios removam os grilhões,
E me fustiguem-me com todo dia de paixão
Eu te ouço, te vejo, exalto sobre todos seus encantos
E ao redor de teu espectro envolvo meus braços num abraço apertado
Eu acordo - e nada mais ouço!Nada mais vejo!
Teu espectro me escapa, tão desagradável quanto você
Eu chamo em altos brados; não sou ouvido
Estico meus braços sem ti; ele desliza para longe de mim
Querendo sonhar isso de novo, fecho com vigor meus olhos;
Ó doces ilusões, doces decepções, venham!
Droga! não mais - parece-me que vagamos
através de tristes escombros, e lamentamos nossas penúrias
Onde ao redor de uma torre esmaecida pelo tempo, hera doente espreita,
Pedras no piso da torre inclinam-se, balançando, sobre o precipício
De repente você se materializa, aparece triunfal através dos céus
Nuvens se amontoam, ondas rugem, e ventos surgem
Eu solto uma gargalhada, é sempre o mesmo resultado
E acordo de volta a todos os pesares que havia deixado pra trás
Para ti as deusas do destino, em demasia brandas, ordenam
Uma suspensão gélida, tanto do prazer como da dor
Tua vida uma longa mansidão morta de repouso estabelecido
Sem pulso que agita, sem sangue que dá vida
Calmo como o mar, antes dos ventos saberem inflar
Ou o Espírito Santo ordenar movimento às aguas
Suave como os devotos de um santo, perdoados
E gentis como as primeiras luzes do paraíso prometido.
Venha Abelardo! Que tens a temer?
A tocha de Venus não está acesa para os mortos
A natureza está em cheque; A religião desaprova;
Ainda que a arte esfrie - Eloisa ainda ama
Ah chamas sem esperança, ainda resistindo! Iguais àquelas que queimam...
...para guiar os mortos, e aquecer o receptáculo estéril
Que cenas vejo para onde quer que meus olhos fitem?
As caras idéias, onde eu vôo, persigo,
Elevem-se na mata, antes mesmo do altar se erguer
Permeia, mancha minha alma, mostra-se provocantes diante de meus olhos
Desperdiço minha primeira vigília em suspiros por ti,
Tua imagem se interpõe entre meu Deus e eu
Tua voz eu contemplo em todos os hinos
A cada conta do rosário eu derramos uma suave lágrima
Quando do incensário nuvens de fragrância se elevam,
E órgãos num crescente elevam o espírito,
Um único pensamento acerca de ti põe os relicários a voar,
Padres, velas, templos, nadam diante de mim
Em mares de chamas minha alma em fuga é mergulhada,
Enquanto altares brilham, e anjos vibram.
Enquanto me deito aqui, prostrada, em humilde pesar
Delicadas, virtuosas gotas se acumulam em meus olhos,
Enquanto eu rezo, tremendo, no pó eu rolo,
E uma crescente graça está se criando em minha alma:
Venha, se tem coragem, tão encantador como tua astúcia!
Desafia o próprio Céu; lute pelo meu coração;
Venha, com um relance daqueles olhos enganadores
Apague cada idéia brilhante dos céus;
Retome aquela graça, aquelas melancolias, aquelas lágrimas;
Retome aquela penitência inútil e orações;
Agarre-me, rapte-me da graça continuada;
Ajude os demônios, e arranque-me de meu Deus!
Não, voe comigo, tanto quanto de pólo a pólo;
Eleve uma montanha entre nós!Um oceano inteiro apareça!
Ah, não venha, não escreva, não pense, pelo menos uma vez, por mim,
Nem compartilhe nem mesmo um repentino pedaço do que eu sinto por ti
Renego teus juramentos, desisto de tuas lembranças
Esqueça, me renuncie, deteste tudo o que me é relacionado
Olhos bonitos, e olhares tentadores os quais ainda vejo!
Por muito amado, idéias adoradas, a tudo isso 'adieu' adeus!
Oh serena graça!Oh virtude tão bela!
Divino limbo de atenções irresponsáveis!
Esperança renovada, graciosa filha do céu!
E fé, nossa recente imortalidade!
Entre, cada convidade gentil e amigo;
Receba, e embrulhe-me em descanso eterno!
Veja, em sua clausura a triste Eloisa se esparrama,
Escorada em alguma tumba, uma vizinha aos mortos.
Cada brisa parece-me um chamado sobrenatural,
E mais do que ecos falam ao longo das paredes.
Aqui, enquanto observei as lâmpadas a se apagarem,
Além do altar eu escutei um som tenebroso.
"Venha irmã, venha!" ele disse, ou pareceu dizer
"Teu lugar é aqui, triste irmã, saia daí!
Uma vez, como tu, eu tremi, lamentei, e orei,
Ora uma vítima do amor, agora uma santa serva:
Mas tudo é calmo neste sono eterno;
Aqui o pesar se esquece de grunir, e o amor de lamentar,
Até mesmo a superstição perde todos seus medos:
Pois Deus, e não o Homem, absolve-nos de nossas faltas aqui."
Eu vou, eu vou!Prepare suas doces reverências,
Palmas celestiais, e suas flores sempre desabrochadas.
Lá, onde pecadores podem encontrar descanso, eu vou,
Onde as chamas se purificam em colos de brilho de serafins:
Tu, Abelardo!O último e triste salário da labuta,
e suaviza minha passagem para os domínios do dia;
Veja meus lábios tremerem, meus olhos revolverem nas órbitas,
Absorva meu último suspiro, e segure minha alma errante!
Ah não - em vestes sacras deves ficar,
A trêmula vela sacra em tuas mãos,
Apresenta o crucifixo aos meus olhos postados ao alto,
Ensina-me de uma vez, e aprende comigo a morrer.
Ah então, tua uma vez amada Eloisa veja!
Então não será uma crime fitar-me.
Veja o rubor de minha face esvaecer-se!
Veja o último lampejo morrer em meus olhos!
Até que todo movimento, pulso e respiro cessem;
E até mesmo cesse meu amor por Abelardo.
Oh morte, eloqüente suprema! Você somente nos prova
nossa afinidade ao pó, quando o nosso amor é terreno
Então também, quando o destino corroer tua beleza,
Isso é a causa de toda minha culpa, e também de minha satisfação
Que num transe extasiante todas suas nostalgias se afoguem,
Desçam nuvens claras, e anjos observem-na a girar,
Dos Céus abertos brilhem fulgores de glória,
E santos te abracem com amor semelhante ao meu
Que uma morte tranqüila una cada nome infeliz,
E conecte meu amor eterno à tua fama!
Então, após eras, quando todos meus infortúnios estarão findos,
Quando este coração rebelde não mais bater;
Se por acaso dois amores errantes se encontrarem
nas parede brancas do Paráclito e amanheceres prateados,
Sobre pálido mármore eles encontram suavemente suas cabeças,
E tomam-se suas lágrimas derramadas, um a de outro;
Então digam tristemente, com pena mútua,
"Oh, que nós nunca amemos como estes amaram!"
Do pleno coro, quando altas Hosanas surgirem,
E encherem os relicários de sacrifício horripilante,
No meio dessa cena, se algum olho sereno
notar de relance, na pedra onde nossas gélidas relíquias repousam,
A própria devoção deve roubar um pensamento dos Céus,
Uma lágrima humana correrá, e será perdoada.
E claro, se o destino provocar em algum futuro poeta
Similares e tristes pesares, iguais aos meus,
Condenando-o a anos inteiros de solidão dignos de pena,
e ídolos que ele não deve mais venerar;
Se assim acontecer, quem assim tanto ama, tão bem;
Contem-lhe nossa triste e delicada estória;
Os infortúnios bem declamados tranquilizarão meu fantasma atribulado;
Ele poderá no máximo descrevê-los, aquele que os sente...
Alexander Pope, 1717
21 janeiro 2013
Primeira Volta? Podia acabar já é o campeonato...
Como já é apanágio meu, gosto de escrever e analisar o estado
do Sporting em momentos precisos. Daí, escrever somente no fim da primeira
volta, no fim do campeonato e no início de época, pois considero que para
avaliar um trabalho é preciso dar tempo para que este mostre os seus
verdadeiros frutos. Uma análise com 15 jogos já disputados no campeonato, mais
os das restantes competições permite isso.
Assim sendo, a minha análise passará pelos jogadores,
treinadores, direcção e situações avulsas como por exemplo as nossas contas.
Peço um pouco de paciência da vossa parte, principalmente a
quem já lê as minhas análises desde que o site as publica, pois não vou
inventar a pólvora visto que muitas das situações que vou expor são meras
repetições do que já havia escrito, porque para mim só não viu que “isto” ia
acontecer quem é incapaz de converter a força que tem na paixão pelo clube numa
avaliação séria e honesta. E sabem uma coisa: Amor, paixão, ódio, raiva são
sentimentos que vivem altos e baixos numa relação, mas para a relação subsistir
no tempo, nos bons e maus momentos, são precisas duas coisas que nunca se podem
questionar… Confiança e honestidade, pois são estas a pedras basilares que
permitem o brilho das positivas e o repúdio das negativas. Porque quando
abraçamos um amor nunca podemos questionar quem por lá passa nos
"entretantos", pois essa imagem na cabeça será tatuagem destrutiva
nos silêncios do afastamento.
1.
Os Jogadores
O que podemos dizer?
Contratações: Que fizemos contratações más? Não. As
contratações foram até bastante convincentes. Jogadores de renome. Com créditos
firmados. A custo zero (sim, nunca é a custo zero mas é menos do que
transferências). Internacionais pelos seus países. O que faltou. O do costume. Carlos
Freitas é bom a encontrar jogadores em conta e de créditos firmados, mas todos eles
com um problema em comum: São jogadores que estão em fases completamente
indefinidas das suas carreiras. Ora, isso leva a que cheguem ao Sporting sem
confiança total nas suas capacidades. Basta o “barco” ou o seu timoneiro não
transmitirem força, motivação, confiança e estes banalizam-se. Daí, muitos dos
jogadores contratados ficarem atónitos e sem reacção perante um mau início de
época e rebuliço interno que logo surgiu com os “notáveis” da brigada do
croquete a falarem sem sequer saberem os nomes correctos desses jogadores. Por
isso, o grande problema foi o do costume: Não se contrataram jogadores segundo
uma avaliação psicológica cuidada. Suspeito que esse nem sequer foi um
critério.
Plantel no global: Nesse seguimento, criou-se um grupo de
jogadores interessante, mas desde logo privados de liderança. O caso
sintomático das constantes mudanças de capitão foi a marca mais profunda desta
navegação sem rota definida. Nunca um jogador como o Elias poderia ser capitão
do Sporting, mesmo que fosse para o motivar, pois ao motivar-se um jogador
corremos o risco de desmotivar uma equipa. Foi o que aconteceu. No passado
falei que o Daniel (que já saiu), o Rui e o Fito deveriam ter a missão de
liderar o balneário. O Rui por ser o activo mais importante do Sporting destes
últimos anos. O Daniel pela forma como sempre defendeu as cores do clube, e o
Fito pela personalidade forte e raçuda, para além de ser dos sul-americanos
mais experientes no plantel, o que o ajudaria a ser um bom elo de ligação entre
grupos. O Onyewu (que nunca deveria ter sido preterido pelo Boulahrouz) também
deveria estar nesse lote, ou não tivesse uma personalidade tão forte que chegou
mesmo a trocar “mimos” com o Ibra nos tempos do Milan. Por isso, quando os
resultados começaram a correr mal, vimos jogadores jovens completamente
perdidos. O Cedric como pode jogar bem se (e aqui, culpa do Fito que defendi à
pouco) levou um raspanete enorme a meio de um jogo por uma falta que todos os
companheiros já fizeram esta época? Assim, joga sobre brasas. O Jeffrén como
pode jogar bem se ninguém ainda não o avisou que jogar e twittar não se ajustam
bem? O Carrillo como pode jogar bem se o deixam andar nos copos e continuam a
pagar o ordenado? É preciso ter uma hierarquia coesa de capitães que saibam
falar e articular as competências entre si no balneário. Se é o treinador a
fazer este papel, então o discurso fica obsoleto e cria anti-corpos rapidamente
com o plantel. Por isso, digo e direi sempre: antes vale comprar jogadores
caros, mas verdadeiros campeões do que apostar no escuro só por terem
competências técnicas e tácticas interessantes. Porque a juventude que temos é
de qualidade e precisa de líderes para os ajudarem a fazer a transição de
promessa para certeza.
Um aparte para esta reestruturação do plantel no mercado de
Inverno: Não merece reparo. Era esta a aposta correcta desde o início da época.
2.
Treinadores
Sá Pinto: Disse e está para aqui perdido que ele apenas
aproveitou o trabalho táctico e físico do Domingos e incutiu-lhe pragmatismo e
motivação inicial. O Ricardo é grande Sportinguista, mas não chega. As equipas
que apresentou sempre foram defensivas e a jogar pelo seguro (para mim, foi
esse o erro inicial do Domingos – não ter sido pragmático e cauteloso desde o
início, querendo logo que a equipa brilhasse desde a primeiro jornada), e nunca
me convenceram verdadeiramente, pois vi lá níveis muito elevados de motivação
com o discurso dele, só que esse discurso fica gasto rapidamente (então com
fases negativas) e o treinador fica sem discurso. E, se não tem jogadores
capazes de motivarem os colegas, todo o trabalho é destruído. Foi o que
aconteceu ao Ricardo. E todos sabemos que o ponto de viragem no discurso foi a
final da Taça. Depois, com o começo de época, não havia discurso definido, não
havia liderança e o modelo de jogo cauteloso teve que ser logo substituído por
modelos de jogo totalmente atacantes, porque no intervalo estávamos sempre a
perder. Agora também se percebe que faltou a componente física na pré-época…
Mas eu já estava à espera disto.
Oceano: Foi tentada a mesma solução tipo Domingos/Sá, ou foi
só para ganhar tempo? Não sei. Sei que foi tempo demais. Contudo, o mais grave
é Oceano ter continuado na equipa técnica seguinte. Fragilizou logo qualquer
discurso do Franky.
Franky: O homem veio para aqui passear. Até ele já sabia o desfecho
disto. O Oceano foi o elo de ligação com o passado. Treinadores adjuntos da sua
confiança, nem vê-los. Um discurso de apoio num dia no outro ambiguidades por
parte da Direcção. Contudo, uma coisa: ele parece mesmo fraco. Porque até nas
substituições e esquemas de jogo vimos más ideias. Muitas más ideias…
Jesualdo: Teve logo um discurso coerente. Não prometeu uma
equipa a jogar bom futebol em 2 meses. Prometeu que todas as situações iriam
ser analisadas e resolvidas a seu tempo. Prometeu evoluções jogo a jogo. É o
discurso óbvio. Só o que foram precisos três treinadores anteriores para isso
acontecer… Foi também o homem que definiu quem eram os capitães e colocou-lhes essa
responsabilidade numa conferência de imprensa bem conseguida. E fala sobre a
situação do clube com verdadeira sinceridade. Gosto do que estou a ver. Mas,
verdade seja dita, foi um golo aos 89 minutos no primeiro jogo, um bom jogo
depois e um grande Rui Patrício no terceiro. Se os resultados fossem ao
contrário… Espero que o mantenham mesmo que haja período eleitoral.
3.
Dirigentes
Carlos Freitas: Já está identificado como o homem incapaz de
contratar jogadores com perfil de campeão. Ainda bem que saiu porque a nível de
vendas também é muito mau.
Luís Duque: Suspeito que foi para o Sporting com a cabeça
nos processos que tem em tribunal. Não mostrou o homem do Sporting campeão, mas
verdade seja dita, é preciso não esquecer que o futebol mudou muito desde a sua
última passagem.
Jesualdo: Se como treinador está bem. Como dirigente foi um
alcoviteiro. É a realidade.
Eduardo Barroso: Coloco-o aqui com Presidente da Mesa da AG,
mas falarei dele como comentador mais à frente. Considero que está a fazer um
trabalho horrível. Tem sido uma verdadeira oposição interna do clube. Vejo nele
a personificação do que disse no início: É daquelas pessoas que não consegue
criar confiança e honestidade por força da paixão que sente pelo clube e
dinamita muito o clube. Contudo, excelente ideia de a AG ser em Fevereiro. Se
forem provocadas eleições que sejam depois do mercado estar fechado. Assim,
muito dificilmente se vão prometer jogadores “a torto e a direito” e vamos
analisar projectos (espero eu). Para além disso, permite uma outra coisa: a possível
estabilidade na equipa técnica, pelo menos, até ao fim do ano.
Godinho: É o grande responsável de eu não ter quase nada de
positivo a dizer sobre esta primeira volta. Não é líder. Rodeou-se das pessoas
erradas para conseguir votos fáceis. Não percebe de futebol (isso então,
imaginem o que é o Bill Gates não perceber de Windows? Porque o “core” do
negócio é o futebol. Tem que perceber minimamente). O seu discurso é quase
idêntico ao ministro da propaganda do Saddam. E, colocou-se a jeito. Mas fez
isso desde o início. Por isso, não seria de esperar outro resultado que não
este. Chego a sentir pena dele. Foi visto pelos seus parceiros da altura como
um meio para um fim (o Barbosa e Cristovão olharam para ele com o ex-presidente
mandatário das suas próprias candidaturas no futuro), mas quando as coisas
começaram a correr mal, cada um por motivos díspares, abandonaram o barco – mas
ambos são muito piores que o Godinho (que isto fique registado para o futuro) –
pois, confiar o clube a eles? Não, obrigado. Podia continuar a cascar no
Godinho durante mais cem páginas, mas ele é o produto de todo um grupo interno
do Sporting que mais não é do que a “brigada do c(roquete)”. Pessoas que se
servem do clube e incapazes de o servirem, mas com conhecimentos suficientes
para passarem entre os pingos da chuva como autênticas cobras cuspideiras.
4.
Avulsos
Situação Financeira: Alguém sabe a verdadeira situação
financeira? Eu não. Nem aquela famosa auditoria que iria identificar os
culpados por ela foi transparente, pois foram os culpados a auditar. Não quero
pronunciar-me desta nova ideia que apareceu no “Expresso”, pois parece mostrar
só pontos positivos e eu não acredito que a banca seja perdularia. Espero que
esta direcção não hipoteque o futuro do Sporting com mais um acordo ruinoso
para o clube, mas não para, novamente, a “brigada do c(roquete)”.
A Política de Comunicação: Talvez a área que mais
reestruturação precisa a par do futebol. É cada um por si. Não existe uma linha
coerente. Os dirigentes dizem o que querem. Os treinadores também. Os jogadores
nem se fala. Uma verdadeira bandalhada que só provoca uma coisa: problemas
desnecessários. Se não existem directivas sobre este ou aquele tema… Então
silêncio. É tão fácil fazer isso. Mas como não existe liderança, o fogo-de-artifício
é fácil de produzir. Um exemplo do nosso maior rival (temos que ser sérios
nisto): O Jesus criticou os empresários de forma contundente. Deixou avisos.
Não vi o Rui Costa ou o LFVieira falarem sobre isso. As competências estavam
definidas e em caso de más expressões, certamente que tudo foi resolvido
internamente.
E, mais duas coisas sobre este tema: Que comentadores são
este que temos na televisão? O Eduardo Barroso não pode “estar dentro e fora”
ao mesmo tempo. Se espicaçado, ele abre o livro todo de uma forma que ainda
consegue criar mais confusão. O Rui Oliveira, tenho para mim que não consegue
ver 90 minutos de um jogo, pois deve passar mais tempo a petiscar na tribuna,
pois consegue ser uma perfeita nulidade. Então a nível técnico-táctico,
suspeito que um miúdo de 12 anos a jogar FM lhe ensine imenso. É quase
humilhante ter um representante assim. Por isso, por incrível que pareça, até é
o Dias Ferreira o melhor dos três. E para eu dizer isso é porque os critérios
estão baixíssimos.
Sugestão: Comunicado a anunciar que o Sporting não se revê
neles. É fácil. Retirando isso as televisões vão repensar a estratégia. Vão ter
com o Sporting e vão perguntar nomes a título de sugestão. E, aí, basta indicar
pessoas que percebam de futebol, mas que possuam um bom olhar crítico (o
problema é que esta direcção não pode sugerir ninguém assim, porque não conhece
J ).
Outra coisa é a política de comunicação nas camadas jovens.
Recentemente vi no jornal local da minha cidade a entrevista de um miúdo de 12
anos que entrou para a Academia e o título era que sonhava ser como o Messi e
jogar no Barcelona. Com 12 anos e já diz isso? Mas o Sporting não tem ninguém
que consiga formatar a cabeça dos miúdos desde essa idade para apreciarem o
clube, ou pelo menos não dizerem essas coisas? É que a este ritmo vamos acabar
por perder muitos jovens antes do tempo – antes de uma boa venda, pelo menos.
Eu digo isto porque como o futebol tem evoluído, um bom jogador aos 17 anos já
pode fazer parte do plantel principal, pelo menos a part-time, assim estou a
falar de um miúdo que daqui a 5 anos pode estar na equipa principal. Convém
incutir nesses talentos uma política de comunicação que engrandeça o Sporting,
no mínimo. Assim, no futuro, os talentos que ficarem cá, podem ser os tais
líderes que guiam o balneário. Não é preciso meter ex-jogadores nas equipas
técnicas, é preciso meter bons comunicadores, bons professores, que criem elos
de ligação entre o clube e os jovens, para estes últimos verem o clube como um
fim em si mesmo e não um meio para um fim. Chamem-me maquiavélico, mas azar. Se
os treinamos, também os temos que meter a gostar do clube no futuro.
E, pronto. Este é o testamento que vos quero impingir. Falta-me
falar de um ou outro tema. Mas as palavras começam a escassear perante a
tristeza que me dá em falar de coisas tão óbvias, mas que tanta gente teima em
não querer ver.
Sinceramente, nem eu sei qual é a melhor solução para o
clube. Se ficar como está, se mudar com eleições. Acho só que tem que mudar
algo. Mas para isso é preciso parar e pensar. E só vejo precipitações de todos
os lados… Sei que o clube não pode parar, mas uma pausa de uns 2 meses faziam
tão bem para todos metermos o dedo nas nossas consciências e tentar construir
uma relação com base na confiança e honestidade ao redor deste nosso grande
amor…
Saudações Leoninas,
Magno Alexandre Neiva
12 janeiro 2013
Eu? Sim. Sou assim.
Sou horrível a acabar algo.
Sou perfeito a elaborar planos de gestão, planos de
contenção, planos de rectificação, planos de tudo…
Mas, planos que envolvam decisões finitas…
Se eu torço para que o plano A falhe porque quero sempre
experimentar o plano B (e o C, D,E, etc.)…
Não me escolham!
Nunca vejo um fim.
Encontro sempre um
“entretanto”. Encontro sempre um “mas”. Encontro sempre um “talvez”.
Não sou de confiança….
Sou demasiado idealista para pensar num fim, quando tudo
para mim é um começo…
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