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Terça-feira, 19 de Maio de 2009

CineCRITIC week 4


Filmes Vistos esta Semana:

TimeCrimes 6.5/10

Paul Blart: Mall Cop 6/10

Young People Fucking 8/10

The International 7.5/10

Die Welle 9.5/10

Der Baader Meinhof Komplex 8.5/10

Crank 2 5.5/10

Soul Man 7/10

J.C.V.D. 8/10


Aqui vai a compilação de filmes vistos em período de recuperação do tempo perdido. Iniciemos por TimeCrimes – filme espanhol agradável sobre crimes cometidos com constantes regressos ao passado através de uma máquina de tempo. Parece complexo e é. Demora um pouco até nos habituarmos ao storyline mas depois ao entrarmos na história o filme vai progressivamente perdendo piada até chegar a um final sem grande espectacularidade. Filme engraçado que vale pela história.

Paul Blart: Mall Cop, por sua vez é aquela comédia cliché que tanto poderia ser feita hoje com à 10-20 anos atrás. Um filme engraçado que dá para uma ou outra gargalhada para uma noite light.

Y.P.F. já é uma comédia bastante interessante. Se, pelo nome, tudo aponta para o sexo, é verdade, mas a realidade do sexo entre diferentes casais, cada um com a sua tara e sua perspectiva sobre o mesmo. Dá para rir, dá para pensar, dá para um bom momento. Óptimo.

The International é um filme que vai buscar muito da nossa actual vida globalizada e enquadra-a num suspense clássico muito bem conseguido, onde o previsível acontece e o imprevisível também. Excelentes actores, cenários e guião. Um bom filme para os adeptos das conspirações mundiais da alta finança.

Crank 2: High Voltage, fez com que deixa-se de gostar um bocadinho menos de Jason Stathan. Após Chelios ter partido a casa toda em Crank, agora a repetição da dose foi exagerada e desvirtuou completamente o grande filme que foi Crank. Ainda tem um ou outro momento engraçado mas a adrenalina que o primeiro transmitiu, High Voltage já não consegue o mesmo.

Soul Man, é mais uma comédia bem conseguida e conta com uma excelente relação entre os dois actores principais. É uma grande homenagem aos falecidos Bernie e Isaac.

J.C.V.D. é uma grande surpresa. Quem diria que Van Damme iria fazer um filme a rever. É uma auto-biografia misturada com fantasia e é sem dúvida um momento de cinema a ver, rever e rever o monólogo a meio do filme. Grande Van Damme.

Der Baader Meinhof Komplex é um grande filme alemão baseado em factos verídicos e muito bem realizado. Não quero falar muito mais nele porque é daqueles que qualquer pessoa vai gostar mas é o filme anárquico por excelência.

Die Welle é o meu filme do ano até o momento. Um grande filme com uma geração de actores a seguir e com uma história intensa e muito lúdica. Podem dizer que The Class foi o grande filme de sala de aula, mas Die Welle para mim é o grande filme do momento do cinema europeu e é a verdadeira experiência numa sala de aulas. Tem um final electrizante. A ver.  

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Aviso

Por motivos de agenda profissional ( Bebedeiras na Queima das Fita), só esta semana voltarei a ver filmes - isto é, tentar.

Daí, para a próxima semana voltará o CineCritic e mais um ou outro post........

Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

CinecriTic Week 3

Filmes Vistos Esta Semana:







Traitor 8/10

I´m Not There 5/10

The Butterfly Effect-3 7/10

The Spirit 8/10

Desta vez começo pelo mais fraco – I´m Not There, um filme onde as expectativas eram altas, com muitos grandes actores, baseado no universo do pensamento, da imaginação, da criatividade, da loucura, do psicadélico do Bob Dylan. Percebi o filme, sim. Mas não era aquilo que queria ver, não achei que tomasse o caminho correcto, não achei que o universo dele foi recriado da forma que este grande músico merece. Um filme experimental, que certamente centenas de críticos adorarão por ser diferente e de difícil compreensão, mas eu não sou hipócrita ao ponto de gostar de um filme só por ser de difícil alcance. E, acima de tudo, sou fã de Dylan e gostava que ele fosse mostrado de outra forma.

The Butterfly Effect 3 é um filme interessante. O primeiro estará, provavelmente, numa lista de filmes preferidos durante anos a fio, o segundo numa lista de filmes a evitar, este conseguiu reavivar o franchise e merece uma menção honrosa. Vem muito na linha do primeiro, e diria que se o primeiro não existisse este seria um muito interessante, como tal não é verdade fica o valor de, não sendo original, conseguir cumprir.

Traitor é um filme muito bom. Se existem partes do filmes que não são contadas ao inicio e desvendadas a meio, posso dizer que pecam por não serem minimamente surpreendentes, mas conta uma história boa que nos faz entender melhor o fenómeno do terrorismo mundial, do seu recrutamento e da suas células de operação. Bom filme.

The Spirit é o filme da semana. Primeiro porque Eva Mendes fica lindíssima neste estilo gráfico do filme; depois porque The Spirit consegue ser um herói muito cool – não é tão problemático, nem tão negativo como os outros heróis, é apenas alguém que vive apaixonado pela sua cidade, que a crer defender, mas que não é imune a uma vida social e a fazer uso do facto de ser super-herói para umas conquistas; finalmente porque esteticamente este tipo de filmes continua a maravilhar-me, é óptima a atenção ao detalhe e a criação de um ambiente BD dentro do próprio filme. Não é 300, não é Sin City, mas é bom.       

Sábado, 18 de Abril de 2009

Correr


Percorri muito o pensamento.

Procurei um passado distante,

Faces que me fogem do coração,

Momentos com sentimento.

 

Tudo que encontrei foram cinzas.

Pessoas destituídas de alma,

Histórias perdidas no fogo,

Centenas de vidas inutilizadas.

 

Que vontade de mudar o rumo.

Nunca esquecer a essência,

Mas simplesmente partir,

E ultrapassar a cortina de fumo.

 

Depende de mim erguer-me deste sono,

Ganhar força com o sopro do vento,

Deixar tudo para trás e correr,

Passar todas as ruas com vontade de viver,

E saber que vou ultrapassar o inferno,

Com um sorriso de quem vai renascer.


Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

CineCritic - WEEk 2



Filmes Vistos esta semana:

 

Rachel Getting Married 8/10

Seven Pounds 8/10

The Wackness 8/10

Deception 6.5/10

Doubt 7.5/10

The Class 7.5/10

Vamos lá – The Class (Entre les murs), é um filme vencedor da Palma de Ouro, mas não é um filme soberbo. Sim, é interessante ver os progressos, ao longo de um ano, de uma turma com uma enorme mistura racial num pleno subúrbio de Paris. Mas, nota-se que nas duas horas de filme muita coisa, que nos permitiria definir plenamente as personagens, ficou para trás. Vale muito pelo carácter experimental, vale pela possível inovação que poderá dar aos documentários do género, vale para nos mostrar que a educação não esta a ser correctamente adaptada para estas novas gerações e vale como um grande aviso para o futuro. Um bom filme digno de ver, mas numa visão mais política e menos cinematográfica.

Doubt, é um filme que conta uma boa história, que consegue criar um ambiente realmente claustrofóbico e de suspeita e culpa, mas independentemente de tudo o resto é um filme de actores. Quando o elenco é bom temos sempre a certeza que o filme consegue valer, pelo menos, por eles. Este é o caso, bom filme, grandes interpretações.

Deception, foi um flop. Apesar de o elenco ter Ewan McGregor e Hugh Jackman, poderíamos pensar que o filme nos entreteria razoavelmente, mas a história é batida, a ideia já foi por demais aproveitada e até os últimos 15 minutos, que neste tipo de filmes (leia-se thriller´s) são a grande catarse, parecem uma repescagem de muitos outros filmes. Não é tempo mal gasto, mas também não é nada do outro mundo.

Seven Pounds, foi também um flop, mas acreditem que não sei porquê. É um bom filme. Will Smith entra bem no papel e Rosario Dawson acompanha-o lindamente. Tem momentos de enorme carga emotiva e um final brilhante, sinceramente não percebo o porquê de ter passado ao lado de qualquer prémio ou nomeação. Não falarei mais de Seven Pounds, apenas digo-vos que vale cada minuto.

The Wackness, é o filme da semana. Porque depositava nele tão poucas esperanças, mal vi os primeiros 20 minutos fiquei logo tão atento ao filme que o comecei a analisar com deveria ser – um filme que conta uma historia passada nos anos 90, e assim facilmente me identifiquei com a historia. Depois, porque o Sir Ben Kingsley esteve muito bem no papel que lhe competia. Gostei, mesmo!

Rachel Getting Married, é um filme que mostra um casamento multi-racial, cheio de alegria, magia, misticismo, cultura, amor e essência. Nada disso interessa. Basta ver Anne Hathaway numa interpretação brilhantíssima e mais não digo. Até para a semana…esta foi muito boa! 

Quinta-feira, 9 de Abril de 2009

Descobri!

Passei muitos dias a tentar lembrar-me com quem é que o Zé Sócrates era parecido aquando das alegações de que ele tb conheceu uns troquitos novos com o Outlet. 

Era uma pessoa que havia sido mediática na defesa da sua honra aquando de um negócio ilícito...
Pensei...pensei...
Com a Fatinha não era! Com o Tino de Oeiras tb não! Com o Bino de Marco era quase...Mas não...
Muitas horas divaguei...
Quem seria!? Pensei...Pensei...Nada...Desisti!
Na semana passada fui ao meu mecânico fazer uma revisãozita ao carro e perguntei quanto é que ficava uma pintura nova e um jeitinho nos toques. Ele não sabia e recomendou-me um chapeiro/pintor de carros.
Ai lembrei-me! Fez luz na minha cabeça!
O Zézito é igualizinho ao Chapeiro/pintor de carros mais mediático do Boavista F.C.!
 

Digam lá que não é!!!!!!!!!

Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

CINECritiC - WEEK 1


Filmes vistos esta semana:


The Good, The Bad and The Ugly – nota 7/10

Appaloosa – 6/10

Dead Like Me – Life After Death – 4/10

Flash of Genius – 7.5/10

Nobel Son – 7/10



Encetemos pelo - “O Bom, o Mau e o Vilão”- é um bom filme sem duvida nenhuma. O derradeiro “Western Spaghetti” de Sérgio Leone é um filme bem conseguido. Com boas interpretações, boa música (que depois fica irritante), uma boa fotografia, mas é aquele filme para o qual criei demasiadas expectativas e depois fiquei decepcionado. Acho que não fui mesmo feito para “Westerns”.

Appaloosa – Mais um western!! Desta vez é a tentativa de redefinir o género e fazê-lo voltar às origens. O Viggo Mortensen é a grande interpretação do filme, deixando Ed Harris e Renée Zellweger a uma boa distância. Vale também pelas paisagens, de resto não posso dizer que fique na minha memória por muito mais tempo.

Dead Like Me – Life After Death – Um grande filme para ver futuramente na TVI ao Domingo logo às 14h.

Nobel Son – Uma boa surpresa. Um arrogante vencedor de um Nobel, vê o filho raptado logo no dia em que está em Estocolmo para receber o prémio. Depois um conjunto de reviravoltas e temos 1h30 de bom entretenimento. Nada muito pesado, com uma história.

Flash of Genius – O melhor da semana. Não é uma obra de arte, de resto esta semana (lá é por ser a primeira em que ponho isto no blogue) foi fraquinha, mas vale pela história biográfica do inventor dos “limpa-pára-brisas”. Parece cómico, mas a verdade é que estas pequenas invenções, tão pouco reconhecidas, são feitas por pessoas comuns, e muitas vezes as grandes empresas tomam-nas como se fossem suas e com o seu poderio económico “abafam” os criadores retirando-lhes o reconhecimento por um momento de genialidade. A luta de Bob Kearns (Greg Kinnear) é um bom filme para ver e tirar uma lição – Ou vivemos pelos nossos ideais, ou vendemo-nos pelo bem e a felicidade da nossa família.

CINECritiC


Uma nova invenção… Se vejo filmes todos os dias porque não analisá-los semanalmente?

Muitos grandes filmes já vistos vão, irremediavelmente, ficar pelo caminho mas antes vale tarde que nunca.

Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

Falar para quem?

Porque não um mundo sem vozes?

Sem palavras subentendidas

Sem palavras parcas de sentido

Sem palavras ambíguas

 

Poder falar livremente é um dom.

Mas hoje ninguém fala livremente.

Todos nós nos resguardamos.

Todos nós nos protegemos.

Todos nós queremos dizer o que sentimos.

Todos nós dizemos o que não queremos.

 

É triste viver num mundo onde ninguém dá valor às palavras

Onde falar de boca para fora é fácil, mas praticar o que se fala é difícil.

Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

Let me wonder...



I went with nothing
but the thought you'd be there, too
Looking for you
I went out there in search of experience
to taste and to touch and to feel's as much
as a man can before he repents
I went out searching, looking for one good man
A spirit who would not bend or break
Who could sit at his father's right hand
I went out walking with a bible and a gun
The word of God lay heavy on my heart
I was sure I was the one
Now Jesus, don't you wait up
Jesus, I'll be home soon
Yea I went out for the papers
told her I'd be back by noon
Yeah I left with nothing
but the thought you'd be there too
looking for you...
Yeah I left with nothing
nothing but the thought of you...
I went wandering...

Preciosidade...uma estrela partiu mas deixou na terra a melhor versão de sempre de uma real situação de vida...



Eu desapontei-te?
Ou deixei um gosto ruim na tua boca?
Ages como quem nunca teve um amor.
E não sentes da falta dele.

Bem, é tarde demais
Esta noite
Para trazer o passado à tona
Nós somos um, mas não somos o mesmo
Temos que carregar um ao outro
Carregar um ao outro
Um...

Uma bela de uma questão...somos humanos ou uma simples marioneta que se mexe ao som do destino...

human
the killers
Composição: Brandon Flowers / Dave Keuning / Mark Stoermer / Ronnie Vannucci Jr.

I did my best to notice
When the call came down the line
Up to the platform of surrender
I was brought but i was kind
And sometimes i get nervous
When i see an open door
Close your eyes
Clear your heart

Cut the cord
Are we human?
Or are we dancer?
My sign is vital
My hands are cold
And I'm on my knees
Looking for the answer
Are we human?
Or are we dancer?

Pay my respects to grace and virtue
Send my condolences to good
Give my regards to soul and romance
They always did the best they could
And so long to devotion
You taught me everything i know
Wave goodbye
Wish me well

Domingo, 5 de Outubro de 2008

Ajuda

Quando já não há nada a perder,

E esqueces o teu sonho de criança,

Porque a bola já não alimenta as tuas expectativas,

Então sabes que só tens de sobreviver.


Quando o desafio desvaneceu,

E as tuas amizades são apenas miragens,

De uma vida que já não te preenche,

Então, tenta aguentar-te.


Quando a vida rumou para um oceano de incertezas,

E todas as sereias desejam o teu naufrágio,

Junto de uma ilha esquecida em desilusão,

Tens de deixar-te bater no chão.


Quando adormeces esquecido da realidade,

E a vontade de acordar foi dizimada,

Então deixa-me estender-te a mão,

Porque quando já não há nada para amar,

O amigo que te acompanhou nas batalhas,

Quer-te junto a ele para mais uma missão,

Porque todas as coisas que fizemos juntos…

Ainda não acabaram, segura-te!

Quinta-feira, 5 de Outubro de 2006

Falta de Confiança

Ficar parado a olhar.
Faltar Coragem.

Tão bela, tão destrutiva.


Perfeito pecado capital,
Nessa cara de anjo salvador,
Sonho para qualquer mortal,
Mas de contornos tão ruinosos,
Nesta ténue pureza da alma.
Sempre que a olho, nos seus verdes olhos.

Ela sabe, que não a vou salvar.
Medo, tenho para acreditar.
Com a indiferença, que me persegue.

Não vou ficar parado a olhar.
Não encontro a coragem.

Tão bela, tão destrutiva.


Porque deambulo nas portas do inferno,
Sempre que esse sorriso reluz?
Ingénuo, puro, imoral, meu veneno.
Como posso abandonar o sonho.
Apenas, resguardar a silhueta nos sonhos.
De uma memória que não chegará ao Paraíso.

Vou deixar-te partir, a olhar,
Acompanhada, por outra sombra, que não a minha.

Não encontro coragem para te alcançar.
Não encontro coragem para te resgatar.
Vou deixar-me Perder-te.

Tão bela, Tão destrutiva.

Segunda-feira, 10 de Abril de 2006

Provador de Sangue

Provei um trago de sangue.
Escorria incandescente pela pele.
Vermelho intenso, a manchar os lábios,
Que rasgavam o corpo e a alma,
De mais uma, da geração insangue.

Senti todo um êxtase sobrenatural.
Parecia que descobrira o segredo.
Aquele pelo qual alquimistas sonharam,
E vampiros se ligaram a morte.
Qual tormento pelo sabor total!

Saboreei-lo como um bom vinho.
Degustei-lo lentamente, sentindo a pureza,
O sabor, a temperatura, a espessura.
Tudo a escorrer pelo organismo.
Tendo o coração como caminho.

Ai! Um orgasmo terreno é tão bom.
Ver um corpo despido de preconceitos,
A esvaiar gotículas de sangue puro.
Dando-o a beber a um amante errante.
Gemendo, gritando, esbatendo som.

Ai! Carnívoro pecado capital.
Possuis-me rumo ao escuro.
Desejando a minha alma.
Seduzindo-me com tentações imorais.
Dando imortalidade a um simples mortal.

Isto é o resultado! Isto é o resultado!
Quando me perco por uma tentação.
Isto é o resultado! Isto é o resultado!
Quando toco no sobrenatural.

Encontro perdições orgiásticas,
Que me marcam na pele, que me perseguem.
Diariamente a percorrerem-me a mente.
Obrigando-me a caminhar por trovões,
Tempestades de análises, de ilações,
Reforçando a minha mentalidade.
Rumo á descoberta do ser.

Paraíso

Meu paraíso, procuro-te desesperado!
Encostas íngremes, caminhos traiçoeiros,
Falésias mortíferas a um tropeção de distância.
Não te alcançar, deixa-me… prosaicamente desolado.

Sem descanso, olho, tento, sigo.
Beijo nuvens, trovões e estrelas,
No sopé de cada montanha ultrapassada.
Mas resgato-me no horizonte e caminho.

Deixo, à deriva, o vento comandar.
Sinto o seu empurrão em cada passada,
A ajudar-me a alastrar este fogo interno,
Pelas planícies desérticas que reflectem o luar.

Durante a caminhada sagrada,
Observo a beleza desta natureza primitiva.
Flores exóticas, animais puros,
Rostos de uma terra imaculada.

Tudo, parece-me novidade!
Olho-os com olhar de criança!
No entanto, mantenho-me objectivo!
Sigo em frente cheio de certezas!

Mas depois, paro para descansar, percebo…
Analiso velozmente e descubro…
Que a verdadeira razão da busca.
É descobrir o que quero.

Concluo portanto, que o paraíso perdido,
Não será somente, um local sagrado,
Mas um rosto familiar que me atormenta.
Chamando-me no fim das forças ao seu caminho.

Já, rendido a evidência da paixão,
Radicalizo o meu projecto, transformo-o,
Incuto-lhe a componente amorosa,
Vejo o meio-termo, no meu coração.

Acordo, então suado, perdido.
Olho para o lado e vejo-te.
Bela essência adormecida.
Protectora da minha lucidez louca.

Compreendo que me das equilíbrio.
Para viver entre o sonho e o pesadelo.
Entre o sonho e a realidade.
Entre o sonho e o projecto.

Que projecto? Talvez de viver,
Pensando que te posso perder.
Rendido por não te querer perder.
Numa passagem tão simples tão pura,
Como o dia passa para noite.

Tu abres os olhos, sorris.
Perguntas se estou bem.
Aconchegas-me o dormir, num beijo.
Agarras-te a mim e esqueço,
Todas as pieguices passadas.
Que surgem de um pesadelo
Sabendo que com o amanhã, tudo passou.

Durmo nos teus braços.
A agradecer-te por seres minha casa.
Mostrar-me que o pesadelo passou.
Mostrar-me que o sonho chegou.
Perceber que o pertenço aqui ao paraíso!
Aqui adormecido, agarrado ao teu corpo.
Juntando as nossas almas, sossegados.

O meu paraíso não é o absoluto.
O meu paraíso é o teu amor.

Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2005

Espelho Meu

De rastos, preste a ceder.
Ruína de alguém, que conheci,
Há um tempo muito distante.
Olhei para o espelho; e vi.

Reflectiram-se erros passados.
Marcas que o tempo enaltece.
Sentimentos que o coração lembra.
Voltei-me! Já nada havia a fazer.

Aquele rosto; não era familiar.
Um pedaço de vida seca.
Historia prodigiosa e rica,
Se não fosse mal contada.

Nenhum anjo me chamou.
Cada passada, tive que escolher.
Encontrar a luz entre as trevas.
Mas o escuro foi tantas vezes intenso.

Tudo, que resta, sou eu e tu.
Eu a realidade, tu o sonho.
E de rastos, prestes a ceder;
Cedo à realidade de sobreviver.

Passado...ainda Passsado.

Quando a porta se abre, entro.
Nada encontro. A não ser memorias,
De brinquedos, que já não uso.
Da beleza, de um mundo perdido
Mas mesmo assim…entro.

Quando a historia se desenvolve, lembro.
Peripécias atribuladas, cuidadosamente detalhadas,
Frases, em uníssono de amizade.
O sorriso retém-se, porque…lembro.

Quando a ruga aparece, tento.
Mantenho um ar sereno e confiante,
Não escondo o grisalho em mim.
Olho para a frente e…tento.

Quem sou, para reter informação.
Coisas vividas, passadas anteontem,
Simples, como a rajada de vento,
Que apaga a chama intensa,
Do barco de madeira, cavalgando
As bravas ondas do mar, envolto
Pelo gélido, marcado nevoeiro.

Quando o olhar me resgata, choro.
Fixo a voz, de uma presença a baloiçar.
No baloiço que já não abana.
Recordo mecanismos do coração,
Já esquecidos, pela vida triste que encontro…choro.

Para Ti...

Numa auto-estrada de memorias,
À velocidade dos sentimentos,
O teu rosto passa constantemente.
A lembrar um vazio de momentos,
Esquecidos por não aceitar o adeus.

Mostrei na tua última aparição,
O espírito rochoso, inquebrável
Fragmentos e pó, era o que corria no coração.
Fora, pedra, Dentro, desfeito papel.
Escrito por lágrimas contidas.

Depois, tudo se eclipsou, já eras passado.
Recusava-me a pensar no céu.
Preferia aguentar-me no inferno.
Cresci mentalmente, forte, inabalável.
Só te encontrava aqui, neste caderno.

Este, que tantas vezes se molhou.
Gotejado, por lágrimas puras.
Regozijos indispensáveis.
Para me manter com a essência,
Que me transmitistes e transmites

O teu rosto, desejo rever.
O teu abraço, desejo perdurar.
A tua voz, desejo conjugar.
A tua presença, desejo guardar.
Tudo em mim, para ser como tu.

Avô, pela primeira vez, escrevo,
Escrevo aqui, nesta folha, nesta tatuagem,
Neste dia, que renasço a ver a tua imagem.
Não te esqueci, apenas acobardei este momento.
Com medo de não perceber este sentimento.

Obrigado.

Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2005

Aqui, um desejo de liberdade

Concentro as minhas forças!
Renego tudo que concebi.
Deixo o vento, fluir em mim
E voo a lutar por ti.

Perco a minha fé,
Dou o meu coração,
Vendo a minha alma,
E mergulho na imaginação.

Transformo-me no tempo,
Mudo todo o meu medo,
Grito pela planície terrena,
O divino segredo.

Ofereço-te a minha vida,
Ofereço-te o meu mundo,
Por esta liberdade pura,
Esta eternidade de um segundo.

Uma voz, um papel.
Um pensamento, um traço.
Um sonho, um pincel.
Uma viagem, um esboço.
Uma miragem, esta beleza.

Que escapa, da chama eterna,
Intensa, sem forma idealizada,
Só com uns olhos que ardem na alma,
Do fogo, da liberdade anunciada...

Há alturas para colocar a máscara,
Para viver na imaginação,
Para comprar sentimentos
Povoados de entulho
E perceber a ilusão.

Há alturas para fumar um cigarro,
Para perder a virtude,
Para disparar uma frase
Sem sentido oculto
E nada que perdure.

Há alturas para ler um livro,
Para saber esquecer,
Para conhecer alguém,
Fixar o olhar
E deixar-se perder.

Há alturas para mergulhar no mar,
Para tentar respirar,
Para cantar um sonho
Ao colo do vento
E tentar voar.

Há alturas para ver o mundo a passar,
Para sentir a solidão,
Para dialogar no escuro,
Ouvir um suspiro
E acordar uma multidão.

Ela passa abraçada a um relâmpago
Ela traz o melhor e o pior
Ela faz-se desejar
Ela atinge o auge,
Na altura em que se faz perder.

Raiva amorosa pela semântica

Que desejo de escrever
Tentar naufragar no infinito
Rodear-me de paisagens bíblicas
Decidir o rumo de um rio
Pranto de uma lágrima que minto

Vontade de mudar o mundo
Com gritos de ardina
Destreza de pensamentos irracionais
Envoltos numa neblina primitiva
Resto de uma mentalidade perdida

Que pesadelo, esta conversão!
Procurar o harém no deserto
Vendo só miragens reais
Da corrupção mental
Porque é que tento?

Porque talvez me realize,
Me transforme em maioral
Dance entre véus de beleza
Acorrentados à religião,
Pela vida de um errante impontual

Como as frases que escrevo,
Palpitando a raiva estúpida
Da não concretização humana
Da prosa tão idealizada.

……….

Sentido opaco, de destreza na preguiça!
Revolta ilustre, do cansaço sobre o trabalho!
Isto, sem dúvida, é a bela arte de estudar!

Medo do romantismo

Houve algum tempo,
Em que larguei o preconceito,
Que despi-me de vaidades,
E tirei algum proveito?!

Houve alguma altura,
Em que me virei para a tempestade,
Abri os braços,
Abraçando o medo da verdade?!

Houve algum sentimento,
Dentro de mim,
Para tentar lutar por ti,
E não haver este fim?!

Ser primitivo (resumo)

No alto da gaiola… toda a cidade!
Formigas conduzem poluição rumo ao céu
Olho para cima e vejo, o mundo, o meu!
O ser civilizado lembra o primitivo, com saudade.

Surgem memorias e lágrimas que a inteligência,
Não consegue controlar, e não paro de olhar!
Penso no passado, quem fui! Senão um pedaço de carne
A divagar, no fundo do ser, até descobrir a inteligência,

Que me transformou nisto! Um ser que mente
Que usa os outros um pássaro sem asas
Um quadro inacabado, alguém também usado!
Alguém que já sonhou, e agora nem sequer sente!

Mas afinal de contas o que é que vi?
Eu!? Eu apenas vi um relâmpago…

Rotina

Papel e luxúrias já não me seduzem,
Não lutei o suficiente para os ter.
Deixei-me levar pelo sonho,
Ideias que se transformaram em pó,
Loucuras que foram investimentos perdidos.

Esquecido na cidade, errante no monte
Foragido dos inimigos, vencido pelos amigos
Perdi a confiança para lutar por mim.

Caminhei sozinho até ao cemitério.
Cavei o buraco onde iria meditar.
Cortei a madeira à minha medida.
Deitei o corpo a olhar para a lua.

Fechei os olhos…
Amanhã, será um novo dia.

Já não seremos…

Vamos, talvez ver televisão!
Bem, ou quem sabe, não ler um livro.
Exacto! Exilar todo o perigo,
Sugerido pela imaginação.

Confisquemos o ar do perfume,
E o som puro da chuva,
E o sabor do néctar de uva,
E o simples toque do ciúme,

O navio pode assim ancorar,
Adormecer no porto,
Parar a viagem com um ponto.

Fomos, talvez, um alguém
Ou, ate um cidadão
Duma sociedade sem imaginação.
Lembrados como um ninguém.

As lembranças estarão presentes.
O dia, claro que acordará,
A noite, sempre chegará,
Apenas mais sonolentos.

Navio Rebelde

Escondido no escuro, em busca do brilho,
Segue o navio solitário o seu trilho.
Igual aos demais, também se perde no nevoeiro.
Aos poucos torna-se incapaz de ser verdadeiro.

Deixa-se levar pelas ondas, rumo ao mesmo círculo.
Vê a terra a afastar-se e lentamente repete o ciclo.
Fica à espera do vento, da rajada final,
Para acabar como os outros! Sem saber quem é afinal…

De repente muda a trajectória, foge do porto de abrigo,
Rejeita a segurança do mundo e enfrenta o perigo!
Polémico! Afasta-se dos outros e ruma sozinho!
Sereias, em vão, tentem bloquear-lhe o caminho!
A vontade de descobrir outro mundo é maior!

Ele já nada teme,
Não é a aventura que é pior!
È saber que a rotina o impede de dar o seu melhor!

Se vencerá o Adamastor… Só o tempo dirá.

Falso Alarme

Escolho momentos concretos para interagir,
Uma altura certa para apregoar,
Qual leão, ruçando pela savana.
Sentidos despertos, pronto a atacar.

Infelizmente as palavras iram-me fugir.
O ataque mortal, não se vai realizar.
O banho de sangue, não se vai concretizar
O predador cheio de fome, vai dormir,
E esquecer as palavras a imortalizar.